Durante muito tempo, o chamado QI (quoficiente de inteligência) era a medida não somente de inteligência, mas do sucesso que alguém poderia obter na vida. Ainda hoje, lidamos com o rótulo de inteligente ou não, dependendo da capacidade de demonstrar raciocínio lógico, matemático, numérico. Mas aos poucos, uma outra idéia vem sendo disseminada com o nome de inteligência emocional, que em termos gerais, é a capacidade de gerenciar sua próprias emoções e compreender as emoções do outro.
Essa idéia foi propagada em 1995, nos Estados Unidos pelo psicólogo da Universidade de Harvard Daniel Goleman, autor do best-seller Inteligência Emocional. “Mas não é oposta a essa inteligência numérica e sim um complemento. O que a teoria da inteligência emocional identificou é que uma pessoa seja qual for a sua profissão, por mais que tenha um alto coeficiente de inteligência e conhecimento de sua área, com esses dois itens tem somente 50% de possibilidade de um desenvolvimento excelente. Além disso, é preciso ter habilidade emocional”, explica o psicoterapeuta e médico argentino Mário Koziner.
Ele está coordenando o curso Inteligência Emocional e Qualidade Humana, cujo primeiro módulo começou neste final de semana. São doze módulos ministrados em um final de semana por mês, em que Koziner ensina como desenvolver a inteligência emocional, através de conhecimentos teóricos e vivenciais.
“Porque inteligência não é sinônimo de QI, engloba todas as capacidades de ser humano. Há cerca de 15 anos, um psicólogo americano chamado Gardner falou sobre as inteligências múltiplas”. É assim que podemos desenvolver as mais diversas inteligências: espacial, musical, corporal, interpessoal, intrapessoal, lógico-matemática, linguística, etc.
A inteligência emocional, entretanto, não é somente mais uma inteligência. “É uma meta-inteligência. Fazendo uma metáfora, é como se as inteligências fossem as sementes e a inteligência emocional fosse a terra, o adubo onde elas podem crescer”, ressalta Koziner. O desenvolvimento da inteligência emocional possibilitaria o melhor desempenho dos demais potenciais.
Habilidades Fundamentais
Para se ter um coeficiente emocional (QE) elevado é preciso desenvolver cinco habilidades básicas dia a dia que constituem os pilares dessa inteligência. A porta de entrada, segundo Mario Koziner, é o autoconhecimento, a capacidade de conhecer melhor suas próprias emoções para administrar melhor a vida. “A capacidade de se auto-observar, saber o que está pensando, sentindo, perceber a sua postura corporal”, frisa Koziner.
O segundo pilar é a administração das emoções, de sentimentos como raiva, tristeza, tensão, estresse, medo, transformado-os em produtivos e criativos. “Não se trata de combater ou negar, mas de redirecioná-los para a sua própria saúde e a dos outros”.
A automotivação é a terceira habilidade, que combina sentimentos de entusiasmo e confiança como meios para a realização. É identificar as metas, os sonhos, os objetivos e caminhar para a realização. A quarta habilidade é chamada de empatia, que pode ser traduzida como a capacidade de colocar-se no lugar do outro. O princípio baseia-se em algo que anda em falta nesse universo de tantas guerras e intolerância sociais: no respeito à alteridade, à diferença.
“Estamos muito voltados para a tecnologia e distantes da empatia, o que faz com que tantas relações entrem em conflito. Não sabemos como respeitar o outro porque não somos educados para isso. Há alguns autores que falam que esta será a nova ética. Se eu começo a sentir o dano que causo ao outro, vou me retificar. O outro pode pensar diferente, mas não é por isso que vou desrespeitá-lo”, explica Koziner.
A Sociabilidade forma o quinto pilar, que significa a capacidade de ajudar a desenvolver as habilidades dos outros, seja na família, no trabalho ou em qualquer outro convívio social. “Saímos da mentalidade egoísta para trabalhar em grupo enaltecendo, entretanto, o indivíduo através desse grupo”. Desenvolve-se a capacidade de mediar conflitos, à autonomia e as lideranças.
Koziner inicia o curso dizendo: “É possível através de um trabalho de educação, de um exercício diário”. (ACM)
|